segunda-feira, 3 de agosto de 2009

NÃO FAÇA ISSO, VOCÊ VAI MATAR O PLANETA


Na verdade, esse título é uma brincadeira... pelo menos para mim. Mas não é o que acontece no nosso dia a dia.
Ainda falando nos conceitos, gostaria de me aprofundar um pouco mais para falar sobre discursos utilizados no cotidiano da educação ambiental.
Quando percebemos que nossa maneira de falar ou passar a mensagem influi diretamente no resultado da ação que praticamos nos damos conta que evitar pequenos vícios de linguagem pode trazer grandes resultados quando tentamos passar uma mensagem. Hoje coloco dois deles:

O discurso da catástrofe: (que também pode ser chamado do apocaliptico) é aquele que se divide entre argumentos de perdição e nostalgia. Perde-se em achar culpados para a atual condição ambiental e remete aos tempos antigos para uma condição ideal (condição que jamais retornará) e pior, prevê o “fim dos tempos”.
Exemplos: A água vai acabar, antigamente tinha-se qualidade de vida, o “homem” destruiu tudo, meio ambiente saudável é a floresta, o buraco de ozônio vai acabar com o planeta Terra...
O que pretende: Chamar a atenção para que as pessoas se preocupem com a questão ambiental através da “ameaça” em potencial.
O que causa: Se tudo vai acabar, vou me preocupar para quê?
Como mudar o foco: não se educa com ameaças. E os perigos só são perigos quando se tem uma compreensão mais ampla do “fato” que o produz. Procure investigar as causas do que pode ser o perigo, antes de anunciar a destruição sem idealizar o “antigamente”.

O discurso da proibição: nesse tipo de discurso, o que se destaca são as ordens onde prevalece a palavra “não” e “proibido”. Não há diálogo. Não há orientação, nem explicação para haver uma reflexão sobre o porque de não realizar aquela atitude, há apenas a proibição.
Exemplos: Não desperdice água, não pise na grama, proibido caçar, proibido jogar lixo, não suje, não,não e não.
O que se pretende: ser atendido.
O que causa: no remete a uma ordem, a uma regra, a ter que obedecer. O ser humano é rebelde e questionador por natureza. Se houver algem observando, pode até ser que cumpra a ordem, mas fatalmente não obedecerá quando não for observado.
Como mudar o foco: utilizando palavras positivas ou de alerta, para se fazer entender o porquê daquele recado. Entender para que o recado está lá facilita a compreensão e pode até levar a reflexão sobre a questão colocada. Exemplos: evite o desperdício de água, preserve a grama, respeite os animais, utilize-se das lixeiras, vamos conservar este local limpo?- são exemplos de falar a mesma coisa de outra forma.

Enfim, vamos pensar em como estamos passando nossa mensagem?

Boa semana!

4 comentários:

Sylvia Manzano disse...

Ainda bem que foi uma brincadeira sua, o título do artigo, cheguei a ficar preocupada. Michael Moore já mostrou à sobejo que esse tipo de mensagem catastrófica que a mídia adora reproduzir apavora o cidadão e cidadão apavorado é cidadão paralizado. Em os livros de ficção destinados ao público infantil e juvenil? Um absurdo. Alguns (infelizmente muitos) escritores descobrirão o filão do ecologês e dá-lhe publicações assustando as crianças, que acabam se formando em grupos e elas mesmo tendo a "missão" de salvar o planeta. Colocar a culpa e a solução do problema no colo das crianças me parece de uma perversidade sem tamanho.

Hegli disse...

Sim Sylvia, isso tb me preocupa demais.
Tenho sido até um pouco chata em relação a isso... é tanta desgraça anunciada que as crianças sentem medo ao invés de motivação.
Não que tenhamos que "tapar o sol com a peneira" como diria minha mãe, masssssssss... há maneiras e maneiras de se passar uma mensagem, e que essa não seja a base de ameaças ou ordens descontextalizadas. Bjus

Taís Vinha disse...

Hegli, muito didático este texto. Vc tem toda razão, a linguagem muda tudo. Sabe que um dos meus filhos teve como projeto na escola "animais em extinção" e eu fiquei bem cabreira, porque o tema é tão catastrófico e triste, não? Tá certo que eles precisam saber, mas se não for bem trabalhado, gera um sentimento de (esqueci a palavra, pode?)...aquela frustração que sentimos quando somos impotentes para resolver algo. Enfim, tempos difíceis os nossos. Vou imprimir seu texto e levar pras profas. Bjs!

Hegli disse...

Pois é Taís, ainda mais para as crianças que costumam tomar tudo ao pé da letra, de forma literal. A abordagem tem de ser muito bem pensada!!! Bju