quarta-feira, 20 de março de 2013

PLANEJAMENTO, DESENVOLVIMENTO E GESTÃO DA ÁGUA NO DIA A DIA

Ontem participei do Seminário Internacional sobre Reúso de Água em SP e o assunto principal foi o “planejamento, desenvolvimento e gestão da água” na indústria. Mas o tema não se aplica somente para grandes e pequenas empresas. Ele também vale para escritórios, escolas e até para nossas residências e eu garanto, não é nada difícil.

O PLANEJAMENTO: Em residências o planejamento pode começar e ser feito ao analisar as contas de água, criando um cronograma ou uma tabela, e traçar uma meta realista a ser alcançada na redução do consumo. Não que seja imprescindível definir metas e índices de consumo de água, porém é recomendado e pode agir como um grande incentivo para todos que convivem no lar. Quando se tem uma meta, fica mais claro aonde se quer chegar e como fazer para que isso ocorra.

Fazer um check list com melhorias nos equipamentos como torneiras, válvulas, registros, chuveiro é de extrema importância. Essas melhorias vão impactar diretamente na conta de água, acredite. E pode-se adicionar uma previsão para o caso de troca ou regulagem desses equipamentos, por exemplo, trocar a torneira da cozinha que não fecha tão bem pode ser menos urgente que mandar regular a válvula da descarga que desperdiça litros e mais litros de água a cada descarga. Colocar as previsões das ações com datas e cotações pode ajudar bastante nesse processo.

Esses são exemplos de coisas que fiz na minha casa, mas cada um pode definir mais ou menos metas e itens no planejamento de sua própria casa, escritório ou mesmo na empresa. Finalizando o planejamento, partimos para o desenvolvimento.

O DESENVOLVIMENTO: O desenvolvimento consiste em agir, ou seja, corrigir os vazamentos, trocar equipamentos hidráulicos obsoletos, corrigir o excesso de vazão em torneiras e válvulas de descargas e outros itens conforme listado no planejamento. É preciso também atentar para coisas simples e que farão enorme diferença no consumo: utilizar aeradores (ou arejadores) nas torneiras, fechar um pouco o registro quando a pressão da água for muito forte, reservar parte da água da chuva e reaproveitar a água da máquina de lavar para regar plantas e lavar o quintal podem gerar grandes economias na conta do mês. E por fim e não menos importante, a gestão.

A GESTÃO: Administrar o check list não é tão difícil quando as prioridades já foram definidas, a cotação dos gastos feita, uma previsão de trocas e acertos nos equipamentos agendada e as contas já foram analisadas e transcritas. Na parte da gestão, considero como  o maior desafio administrar as pessoas que convivemos e convencê-las do intuito da ação. Uma parte importantíssima em todo esse processo é buscar aliados para o uso racional da água, o que não significa fazer um racionamento. Posturas inflexíveis e radicais podem afastar pessoas. Usar racionalmente é usar com sabedoria um bem tão precioso e tão escasso que é a água potável. No final, o uso racional coletivo pode evitar um futuro racionamento em época de estiagem. Outros itens da gestão são fazer o acompanhamento das contas de água, manter os equipamentos regulados e controlar os vazamentos tao logo estes sejam percebidos.

Quem se anima em começar o próprio planejamento já? Me contem como foi.




terça-feira, 12 de março de 2013

UMA PAUSA PARA RECARREGAR



“De vez em quando você tem que fazer uma pausa e visitar a si mesmo”. (Audrey Giorgi)

Essa frase define bem o momento de pausa no blog, "uma pausa para visitar a mim mesma". O curioso é que mesmo sem publicar e nem divulgar nestes últimos meses, as visitas por aqui alcançaram cerca de 1500 visualizações por mês, recebendo novos comentários, sugestões e seguidores, fato que me deixa muito feliz e animada para seguir em frente.
Na verdade, essa pequena pausa me fez ir atrás de algo que eu procuro há bastante tempo que é: definir metas para o mestrado, batalhar e iniciar esta jornada. Agora está feito, portanto voltarei a escrever com mais regularidade e, em alguns momentos, dividir reflexões e opiniões acerca de meus estudos em Ciências Ambientais. Obrigada aos assíduos, boas vindas aos que me visitam pela primeira vez e aguardem novas publicação em breve.
Grande abraço!

Hegli



sábado, 6 de outubro de 2012

O DIA DA CRIANÇA E O CONSUMISMO



No mês de outubro, há uma data que atualmente é a mais importante para as crianças depois do dia do aniversário e do Natal: o Dia das Crianças. E tem mais, nesse dia roupa não vale, tem que dar brinquedo (pelo menos é isso que a mídia nos diz a todo o momento).
Acho engraçado como arrumam dia para tudo e para todos, e o pior de toda essa história é que as crianças são as mais manipuladas e as mais manipuladoras em relação ao seu dia. A mídia bombardeia os pequenos com informações de brinquedos maravilhosos, itens com super inovações tecnológicas, as marcas são aliadas a famosos personagens... E são inúmeras as mensagens dizendo que a criança “tem que ter” isso ou aquilo para ser popular, ser aceita, ser “da turma” e por aí vai... para SER tem que TER.
E as crianças começam com a chantagem emocional abusiva, com argumentos absurdos e em muitas famílias com birras, pirraças e chateações. Para muitos pais é mais fácil comprar logo o brinquedo do que aguentar a manha, ou ainda mais prático do que dar uma negativa a criança e explicar que não vai ganhar porque não precisa.
Em casa meu filho perguntava para mim desde os 4 anos (hoje com 11): "Mãe, porque todas as outras crianças ganham presente do dia das crianças e eu não?" E eu respondia:
“Porque alguém inventou um dia para todos os pais e mães se enfiarem em lojas de brinquedos lotadas e darem brinquedos na mesma data para todas as crianças. Você ganha brinquedo quando nós achamos algum brinquedo muito bacana, independente do dia ser "da criança" ou não!- trato feito e estabelecido, e sem traumas, rs!
 
 O Instituto Alana desenvolve um trabalho pioneiro e muito sério em relação ao consumismo infantil e que este “é um problema que não está ligado apenas à educação escolar e doméstica. Embora a questão seja tratada quase sempre como algo relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a consumir de forma inconsequente e desenvolvem critérios e valores distorcidos são de fato um problema de ordem ética, econômica e social.” E diz mais, que “ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia nos dias atuais e não importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de modo inconsequente”.
Ou seja, não é porque não se tem filho que a responsabilidade não seja de todos. Em casa, com os parentes, na escola, no trabalho vamos dizer não a essas imposições absurdas que são colocadas a todas as crianças e adolescentes diariamente. Por uma infancia livre de consumismo! http://infancialivredeconsumismo.com/
 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

DESAFIOS EM PROJETOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL


Muitos fatores podem dificultar o planejamento, implantação e andamento de um projeto de Educação Ambiental, etapas cruciais para que um bom projeto se desenvolva. E tenha certeza de que essas dificuldades vão acontecer. Pode ser apenas parte delas, em maior ou menor grau, em prazos diferentes, em diferentes escalas ou ordens, mas irão acontecer.

Não! Não! Não! Não estou sendo fatalista, nem realista, nem pessimista, muito menos tendo uma crise de vidência. O é caso é que, em todo lugar em que vemos e lemos sobre os projetos, somente nos mostram coisas lindas e resultados maravilhosos, mas ninguém conta a outra parte que não é tão boa. E essa parte "não tão boa" existe sim!

Apesar de muitas vezes essas dificuldades darem um trabalhão, desmotivar ou entristecer, quando é possivel aproveitar o momento difícil e criar oportunidade para aprendizado e consenso coletivo, acabam por impulsionar o projeto e unir ainda mais o grupo. Ou pelo menos a parte do grupo que está empenhada para que as coisas boas aconteçam.

E falo de tudo isso com conhecimento de causa, com o testemunho da dor e a delícia que é coordenar um grupo de pessoas, de seres, de indivíduos que compõem um projeto de educação ambiental, seja qual for a temática estabelecida. Como seres individuais que são, cada qual tem seu jeito e seu modo particular de pensar e de se colocar, e muitas vezes a parte mais difícil do projeto não é estruturá-lo, mas estruturar o grupo e lidar com os conflitos interpessoais e os percalços que aparecem no caminho por este tipo de situação.
Então tome nota da listinha básica com algumas das dificuldades que “sempre” teimam em aparecer. E para que os colegas educadores que estão ingressando na empreitada de iniciar um projeto, por favor não desanimem. Hoje sei da importância de termos consciência disso ANTES, para que fique mais fácil aceitar que esses "poréns" nos acompanharão e, deste modo, poder nos preparar emocionalmente para apaziguar os ânimos quando for necessário e achar soluções que tendam para o entendimento coletivo.
Vamos lá, principais dificuldades em projetos de EA:

• Falta ou não cumprimento de planejamento
• Não aceitação de lideranças que provavelmente irão se destacar
• Relacionamentos conflituosos
• Falta de entendimento do objetivo do projeto 
• Crítica de toda ordem
• Falta de compromisso de alguns participantes
• Maior participação apenas nas atividades prazerosas
• Falta ou sabotagem na comunicação
• Tendência das pessoas a se acharem excluídas das decisões
• Fofocas, ciúmes, fofocas, ciúmes...
• Dificuldade em dar e ouvir opiniões de maneira polida
• Formação de “panelinhas”
• Problemas no registro, coleta e sistematização dos dados
• Sobrecarga de algumas pessoas
• Pessimismo exagerado
• Otimismo exagerado
• Falta de “tempo e espaço” para as reuniões
• Dificuldade em pautar e registrar a ata das reuniões
• Desvio de interesses no decorrer do projeto
• Falta de recursos para as atividades propostas

Ou seja, quando iniciar um projeto de educação ambiental, tem de se estar preparado para lidar com problemas que fazem parte da formação de QUALQUER GRUPO. “Sabendo que os conflitos são inevitáveis, lembre-se que só o que possibilita a convivência é a própria convivência. O que facilita o diálogo é o próprio diálogo. Com firmeza de propósito e autodeterminação é possível construir uma nova forma de articulação social[1].

Finalizo dizendo que a boa comunicação, clara, direta, franca e concisa resolve metade dos problemas e dificuldades que possam porventura surgir. Sem uma comunicação efetiva e continuada, raramente um projeto progride e perdura. Vamos lá colegas, força e coragem!
Sabotadores da Comunicação
“ Julgar, culpar, criticar.
Desmoralizar as pessoas.
Moralizar, ordenar.
Oferecer soluções e resolver problemas,
mais do que simplesmente ouvir.
Questionar excessivamente.
Interromper frases.
Ignorar as preocupações do outro”
Trevor Powell


[1] Jornada de Amor à Terra. Laura Gorresio Roizman e Aparecida Elci Ferreira Ilustrações Darci Campioti. Ed. Palas Athena, 2006.

PS. Participe da nova enquete com um clique. Obrigada!

Texto originalmente publicado em 04/2011

sexta-feira, 20 de abril de 2012

VISÃO HOLÍSTICA, CONCEPÇÃO SISTÊMICA E INTERDISCIPLINARIDADE EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Sob o ponto de vista das ciências ambientais, a visão holística, a concepção (ou abordagem) sistêmica e a interdisciplinaridade estão diretamente relacionadas, ou seja, mesmo que não haja de forma clara pontos em comum entre os “conceitos”, estes são interdependentes para que seus aspectos positivos possam somar-se. Eles se inter-relacionam, estabelecendo conexões, tendo como ponto de convergência a ação que se desenvolve num trabalho cooperativo para resultados efetivos, tanto em pesquisas, ações ou tentativas de solução para as questões mais diversas na área ambiental.

Em se tratando da Educação Ambiental, as ações, atividades ou projetos devem ser planejados de modo a se compreender o “todo” (visão holística), considerar a disposição das partes ou dos elementos de um todo, coordenados entre si, e que “funcionam como estrutura organizada” (abordagem sistêmica), com o apoio de diversas áreas do conhecimento e que cada uma dessas áreas atue como parte indispensável no desenvolvimento de um processo dinâmico, integrador e, sobretudo, dialógico (interdisciplinaridade).

Num processo que pode ir da simples comunicação de ideias até a integração recíproca de finalidades, objetivos, conceitos, conteúdos, terminologia, metodologia, procedimentos, dados e formas de organizá-los e sistematizá-los no processo de elaboração do conhecimento, a interdisciplinaridade difere da concepção de multidisciplinaridade, a qual apenas se justapõe conteúdos. Nesse sentido, a interdisciplinaridade não pode ser traduzida como uma teoria geral e absoluta do conhecimento, nem compreendida como uma ciência aplicada. O desafio é assegurar a abordagem através de uma perspectiva holística, onde a valorização é centrada não no que é transmitido, e sim no que é construído, considerando que todos os elementos influenciam e são influenciados reciprocamente, SEMPRE.

*Kovacic, Hegli Serpa. Senac Curitiba. 2008

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ECOLOGIA E ÉTICA


A ecologia surgiu, no campo das ciências humanas, como uma área voltada para o estudo das relações entre os seres vivos e com ela a noção de ecossistema justamente quando se colocou a necessidade de não ver os seres vivos de modo isolado, mas de perceber as interações que ocorrem nas trocas de energia e matéria, entre o meio e os seres vivos, formando ciclos e fluxos contínuos.

Aplicada a visão transformadora da educação em situações de crise, a ecologia aponta para a busca de compreensão das causas que geram o desequilíbrio nas relações entre os seres vivos, incluindo os comportamentos destrutivos dos humanos. Enquanto fundamento para uma ação educativa, essa compreensão ajuda a identificar alguns pontos onde o espaço habitado com os demais seres vivos foi desviado do equilíbrio do todo, justamente por conseguir estudar estas relações sob a visão holística. A visão ecológica, portanto, é de suma importância no estudo da educação ambiental, pois permite rever a nossa atitude sob a visão da ética que são os valores que orientam as nossas ações pessoais e coletivas, aquilo que julgamos certo e errado, o que valorizamos ou desprezamos em nós mesmos e na natureza.

Podemos ainda pesquisar, conhecer e analisar, nos inspirando em muitos exemplos de outras culturas diferentes da nossa, que criaram e ainda preservam modelos ecológicos de compartilhamento do espaço ambiental em perfeito equilíbrio. Numa visão mais abrangente, podemos afirmar que ética e ecologia são inseparáveis. Há sociedades, por exemplo, onde a natureza é alvo de uma reciprocidade, onde os sentimentos, afetos e gestos humanos se dirigem aos demais seres vivos, vegetais, minerais e outros componentes da natureza.

Dentro da proposta da Educação Ambiental, quando damos ênfase à Ecologia, estamos ressaltando o fato de que cabe a espécie humana a responsabilidade pela preservação ou destruição da vida no nosso planeta. Educação Ambiental, Ecologia e Ética juntas representam uma tendência na mudança de valores e comportamentos que são pontos fundamentais para enfrentar o caos ambiental, fruto de uma espécie de patologia maligna coletiva que contaminou a consciência humana. Aliás, que seja no mínimo amenizada já que não pode ser revertida. É tempo de pensar seriamente sobre isso não acham?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

MUDANÇA DE HÁBITO - PARTE 2


Em agosto de 2009 eu fiz neste blog um questionamento a mim mesma e também as pessoas que pretendem se envolver com a educação ambiental: “será que fazemos a nossa mudança antes de propor isso aos outros?”
Nesse texto eu listava hábitos bons que eu já tinha e outros que eu precisava modificar ou melhorar, afinal eram hábitos cultivados durante muito tempo, que são difíceis de mudar, mas não são impossíveis. E com grande satisfação percebo que melhorei um bocadinho mais. Então, hoje, incluido mais alguns itens nas duas listas:

-meus bons hábitos são
1-
Aproveitar bem os alimentos frescos incluindo sempre que possível casca, talo e folhas
2-Fechar a torneira ao escovar os dentes
3-Doar roupas, sapatos e acessórios quando comprar algo novo
4-Sempre que possível dispensar o uso de descartáveis
5-Sempre apagar a luz ao sair dos ambientes
6-Comprar peças em brechós
7-Comprar livros em sebos
8-Utilizar o máximo possível a luz do sol para iluminar os ambientes
9-
Tomar banhos curtos
10-Comer carne no máximo uma vez por semana
11-Usar a vassoura e balde ao invés de mangueira
12-Utilizar folha de papel imprimindo dos dois lados
13-Evitar mercadorias com muitas embalagens
14-Reaproveitar alimentos transformando-os em sopas, caldos ou bolinhos
15-Separar corretamente o lixo para reciclagem
16-Usar a água da lavagem de roupa para lavar o quintal
17-Lavar roupa aproveitando a carga máxima da máquina
18-Passar a roupa uma vez por semana
19-Usar sacolas de pano para fazer compras
20-Usar menos produtos de limpeza 
21-Usar menos papel toalha e guardanapo de papel
22-Fazer revisão do carro para garantir menor poluição ao ar
23-Consumir menos alimentos industrializados e mais alimentos orgânicos

- o que preciso melhorar (ainda)
1-Preferir embalagens retornáveis
2-Trocar o restante das lâmpadas da casa de incandescentes por fluorescente
3-Utilizar menos o carro (andar mais a pé)
4-Usar menos o ar condicionado do carro
5-Abrir menos a geladeira e o freezer
6-Lembrar de tirar o carregador do celular da tomada
7-Lembrar de tirar aparelhos do stand by quando terminar de utilizá-los

E você, já fez a sua lista? Que tal começar agora...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

VERTENTES CONTEMPORANEAS EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Em minha jornada acadêmica na pós-graduação em Educação Ambiental, tive a oportunidade de ler dezenas de livros sobre educação ambiental e encontrar tantas teorias, conceitos e classificações para o tema que me deparei, em meio à pesquisa, confusa e curiosa frente à diversidade de definições.

Comecei a fazer o exercício de relacionar as vertentes contemporâneas mais utilizadas em Educação Ambiental e percebi que quase todos os autores falavam as mesmas coisas, só que de formas distinta e com palavras diferentes.

Quando terminei essa pesquisa, separei as definições por afinidade (seja no objetivo, ideia, proposta, ideologia, pensamento) e montei uma tabela onde dividi as vertentes, basicamente, em três tipos “simples”, que são as mais praticadas atualmente: a CONSERVACIONISTA, a COMPORTAMENTAL e a SOCIOAMBIENTAL.

Organizei uma lista imensa com as características de cada vertente, mas separo aqui alguns exemplos para ilustrar (lembrando que se trata de um trabalho autoral, que não deve ser reproduzido ou citado em outros trabalhos sem as devidas fontes*):

A PROPOSTA CONSERVACIONISTA

SOBRE SERES HUMANOS - Considera o ser humano responsável pela destruição da natureza.
NO ÂMBITO EDUCATIVO - Tem visão ecologizada de meio ambiente cujos ensinamentos prevêem visitas a parques e florestas e foco na preservação e conservação.
SOCIEDADE E CULTURA - Não considera, especificamente, a sociedade e a cultura relacionada ao meio ambiente trabalhado como prioridade.
CORRENTE DE PENSAMENTO - Propõe a conservação e preservação da natureza independente do contexto social e político, com preocupações voltadas para os ambientes naturais e preservação de um ecossistema específico.
PRIORIZA - O contato com a natureza e a compreensão dos seus processos, que produz um sentimento de amor e respeito em relação ao mundo natural.

A PROPOSTA COMPORTAMENTAL

SOBRE SERES HUMANOS - Considera o ser humano como sujeito observador, cabendo-lhes o papel de “resistir”, de “reagir”, ou ainda de serem “protegidos”.
NO ÂMBITO EDUCATIVO - Baseia-se em vivências práticas junto ao ambiente natural com finalidade na mudança de comportamento a partir dessas visitas.
SOCIEDADE E CULTURA - Baixa problematização da realidade e pouca ênfase em processos históricos-culturais nas atividades ambientais.
CORRENTE DE PENSAMENTO - Propõe promover mudanças nos indivíduos, com ações voltadas para a aquisição de novos comportamentos perante a natureza.
PRIORIZA - A aprendizagem como mudança de comportamento, uma tendência comportamental resultante de uma prática repetida ou reforçada, voltada para a ecologia.

A PROPOSTA SOCIOAMBIENTAL

SOBRE SERES HUMANOS - Considera o ser humano como parte integral da natureza transformada ou natural.
NO ÂMBITO EDUCATIVO - Estimula o despertar do sujeito crítico ecológico, o processo reflexivo e crítico sobre o ambiente vivido e a cultura local.
SOCIEDADE E CULTURA - Estimula participação e responsabilidade do ser humano como sujeito na sociedade, na cultura e na história tanto quanto nas questões ambientais.
CORRENTE DE PENSAMENTO - Propõe a construção da consciência ambiental e suas interações com os eixos sociocultural, político e econômico.
PRIORIZA - O desenvolvimento da reflexão para compreensão e transformação da realidade vivida ao evidenciar as causas da problemática ambiental e não apenas se deter em suas consequências.


Qual dessas propostas é a que você acredita e pratica?  Participem!
@Participem também da enquete do blog com um clique, fácil, rápido, indolor! Obrigada ;)

*Kovacic, Hegli Serpa. Trabalho de conclusão de curso: Uso racional de água em escolas municipais. Senac Curitiba. 2008

terça-feira, 11 de outubro de 2011

DIA DA CRIANÇA SEM BRINQUEDO

Meu pequeno com um brinquedo de um real e feliz da vida!

Chegou o “Dia das crianças” e com ele a loucura da corrida as lojas de brinquedo, com suas guerras de preços e prazos...

Neste último mês eu acompanhei entre 11h e meio dia o programa CADA COISA EM SEU LUGAR no Discovery Home & Health. O objetivo nesse programa é fazer as pessoas se desapegarem e desentulharem as coisas dos cômodos da casa da seguinte forma: triar o que é para jogar fora, o que dá para doar e que sobra para vender e arrecadar dinheiro para comprar móveis adequados para manter a organização e fazer melhorias nos ambientes.

Foi um importante exercício de observação onde pude constatar que as pessoas que mais tinham dificuldades em se desfazer de “tralhas” e objetos sem função, e que ficavam emocionalmente abaladas e culpadas por vender ou doar algumas coisas eram aquelas cujas mães, pais e avós incentivavam o apego material desde a infância.

Alguns tinham móveis ou roupas já desgastadas, coisas sem uitilidade, mas que não queriam se desfazer porque a mãe ia ficar triste, ou a avó ia se chatear, ou um amigo se ofender. Outros episódios tinham coleções de tranqueiras que essas pessoas iam ganhando de presente e não conseguiam pensar em ficar sem, mesmo com todas elas enfiadas em caixas de papelão. Eram coleções de unicórnios, bonecas, figurinhas, bonés e coisas que nem a imaginação mais fértil pode conseguir imaginar, como uma coleção de palmatórias.

O que eu quero dizer é que muitas vezes incentivamos e ensinamos as crianças a terem e acumularem coisas que elas nem querem ter, mas como somos as pessoas que elas confiam, acabam por achar que aquilo fará bem a elas e nos magoarão se quiserem se desfazer delas.

Posso dar um exemplo em casa, com meu filho mesmo.  Certa vez ele comprou meia dúzia se pacotes de figurinhas com umas moedinhas que ganhou e mostrou para a avó dizendo que ia colecionar com os dinheirinhos que ganhava. Em um mês, minha casa foi invadida por milhares de figurinhas. Acho que ela comprou umas duas mil figurinhas nesse período. Eu juntei tudo numa caixa de sapato e mandei para a casa dela dizendo que a coleção que ela estava ajudando a montar deveria ficar lá. Ela parou de comprar... mas só as figurinhas.

Um tempo depois estávamos em uma festa em algum amigo e ele achou algumas tampinhas de garrafa, mostrou para avó e a tia e alguns meses depois a carga de tampinhas era tanta a cada visita da vovó que eu não tinha mais onde guardar. A mesma coisa aconteceu com pedrinhas, Lego, Go-gos etc. 

O pior é que ele ainda se sente culpado e receoso das pessoas ficarem chateadas se ele se desfizer das “coleções”. É aí que nasce um “juntador” de tralha de “valor sentimental”. O que quero dizer no final das contas é que esse consumismo, esse materialismo, a mania de acumular podem vir da infância, pode ficar mais séria na adolescência e se agravar na vida adulta.

Então, pais, mães, avós, avôs, tias, tios, padrinhos e madrinhas, vamos ensinar a nossas crianças a doar o que não está mais servindo para brincar, a não se apegar a coleções, a manter o mínimo que possa ser útil na brincadeira do dia a dia. Nada de guardar a boneca que a tia avó deu, por consideração, mas que ninguém brinca. A consideração tem que estar no coração e não em uma peça.

No dia das crianças (que na minha opinião é todo dia), vamos dar de presente nosso tempo e atenção sincera, ouvir olhando nos olhos, levar ao cinema, ao teatro, ao parquinho, bater papo, gastar um tempo jogando um jogo de tabuleiro, exercitar a mente e o corpo e o afeto. Feche a carteira e a abra os braços.

Por um dia das crianças sem consumismo, sem brinquedos e com muito amor! 

http://educacaoambientalcontemporanea.blogspot.com/2010/09/o-dia-da-crianca-e-o-consumismo.htm

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

BOA REFLEXÃO

Retirei este texto de um email que recebi ontem. Ainda não descobri a autoria, mas estou pesquisando para encontrar e colocar os devidos créditos autorais. Achei muito interessante para uma reflexão sobre nosso atual estilo de vida, não só pelo fator "consumo", mas pelo fator "facilidades" que não queremos abrir mão em favor da sustentabilidade. Muito bom para uma reflexão do quanto realmente estamos engajados com esse tal de desenvolvimento sustentável. Boa leitura e boa reflexão!

DESABAFO

Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

* Vamos refletir e conversar sobre isto? Deixe suas opiniões e impressões, comente o post.
* Participe da enquete do blog com um clique. Obrigada ;)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS COMPLETA SEU 1º ANO

Esse post foi uma contribuição de um grande amigo, escrito por Carlos Henrique A. Oliveira.
A Lei Federal nº 12.305/2010 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) - marco regulatório deste setor do saneamento básico, trazendo esperanças para um novo momento no país. Hoje, completa um ano de existência/vigência, com avanços e perspectivas positivas, como demonstrado a seguir. Mas ainda há muito a fazer, a construir, a trabalhar para que seus princípios e objetivos sejam alcançados.

Como pontos positivos, cabe destacar a celeridade de sua regulamentação pelo Decreto nº 7.404/2010 - sancionado em pouco mais de 5 meses após a aprovação da Lei; a instalação dos Comitês Interministerial e Orientador e de seus respectivos Grupos de Trabalho no primeiro semestre deste ano; o início dos trabalhos para a elaboração do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (que trará diretrizes e metas - quantitativas e temporais - para alcançar os objetivos definidos pel a Lei); o Programa Pró -Catador (instituído no mesmo dia da sanção do Decreto Regulamentador da Lei); a (re)estruturação de diversos mecanismos de apoio ao investimento e de disponibilização de recursos financeiros para apoiar a gestão sustentável de resíduos sólidos (como as fontes de recursos pelo Orçamento da União - pelos Ministérios do Meio Ambiente, das Cidades, do Desenvolvimento Social, a Integração Nacional -, pelo BNDES, pela Caixa Federal, pelo Banco do Brasil, pela FUNASA, dentre outros); a estruturação e lançamento de campanha nacional pela coleta seletiva, orientativa para os cidadãos; os convênios firmados com a maioria dos estados brasileiros para a elaboração de estudos de regionalização e diagnóstico da situação da gestão e manejo dos resíduos sólidos; o apoio à estruturação e ao fortalecimento dos Consórcios Públicos entre os municípios para a gestão de resíduos (com apoio aos menores, reduzindo suas fragilidades e melhorando sua capacid ade de gestão); a realização de estudos de custos de implantação e operação de diversas instalações de apoio à gestão de resíduos (por tipo, por porte e por região do país) - cujo resultado deverá ser disponibilizado pelo MMA em breve; dentre outros avanços.

Mas nem tudo são flores neste campo. Os desafios continuam a fazer parte da realidade cotidiana de todos os brasileiros, com a existência de lixões e de catadores em situação de miséria, o descarte irregular de resíduos pelas cidades (em córregos e terrenos vazios), os resíduos espalhados pelas ruas, a fragilidade estrutural e gesrencial da maioria dos gestores públicos, a complexidade para a implantação da Logística Reversa (e o risco de tornar-se uma "Logística Perversa"), os conflitos de interesse na implantação de diversos mecanismos definidos pela Política Nacional, a inexistência de Planos de Gestão de Resíduos Sólidos nos municípios (que dev erão conter as diretrize s para a elaboração dos Planos de gerenciamento de Resíduos pelo setor privado e grandes geradores), dentre outros aspectos.

E tudo isso só será possível de ser ultrapassado com a intensa e contínua participação de todos no processo de implantação dos dispositivos previstos na legislação, com a defesa dos interesses coletivos. Está previsto o lançamento, em Dezembro, da Consulta Pública do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que trará as metas a serem alcançadas num horizonte de 20 anos. Metas ambiciosas, relativas aos objetivos estabelecidos pela Lei Federal - não-geração, redução da geração, reaproveitamento e reciclagem de resíduos -, mas factíveis se considerarmos a capacidade de resposta da população brasileira e de todos os segmentos envolvidos.

Por tudo isso, acredito que é hora de comemorar este 1 ano de vida da PNRS, considerando todo seu conteúdo, bem como os desafios e oportunidades trazidos por ela.

Carlos Henrique A. Oliveira - Arquiteto Urbanista - Consultor - SRHU/MMA