quinta-feira, 3 de setembro de 2009

RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

Na semana passada eu participei da Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, uma mostra do que as empresas andam fazendo em relação ao meio em que estão e ao resto do mundo com suas práticas. Como todos os eventos promovidos por eles, sobra organização. É, sem dúvida, um dos poucos lugares que dá pra ir sem medo, pois do porteiro aos organizadores, o compromisso em seguirem o roteiro faz da simpatia e da pontualidade uma marca registrada. Sem falar nos estandes e apresentações culturais.
E então começaram as surpresas...

Em várias apresentações que se seguiram após a cerimônia de abertura, percebi que muitas das empresas cujos “cases” foram selecionados para mostrarem suas iniciativas nesta área, não tinham o menor entendimento do que seja, de fato, a tal da RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL.

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) entende que a responsabilidade socioambiental: "é uma postura ética permanente das empresas no mercado de consumo e na sociedade. Muito mais que ações sociais e filantropia, a responsabilidade social, no nosso entendimento, deve ser o pressuposto e a base da atividade empresarial e do consumo. Engloba a preocupação e o compromisso com os impactos causados a consumidores, meio ambiente e trabalhadores; os valores professados na ação prática cotidiana no mercado de consumo - refletida na publicidade e nos produtos e serviços oferecidos; a postura da empresa em busca de soluções para eventuais problemas; e, ainda, a transparência nas relações com os envolvidos nas suas atividades" (Guia de Responsabilidade Social para o Consumidor, 2004, p. 4), e eu concordo.

Particularmente, foi um choque ver empresas, muitas delas multinacionais, apresentarem em suas relações de atitudes socioambientais coisas como: convênio médico, cesta básica, reforço escolar e ensino básico aos funcionários. Entendo isso como um pressuposto, diante do porte das empresas, como um direito do trabalhador e não como diferencial para ser relacionada como prática de responsabilidade. Em uma das apresentações uma empresa (Sueca) ainda teve a coragem de citar que faz as atividades de educação ambiental com incentivo
da Lei Rouanet, JESUS ME ABANE. Meus alunos na periferia precisando tanto de cultura, teatro, educação ambiental e o dinheiro público embelezando, com exposições e uma decoração futurista e temática, uma casinha “educativa” de uma empresa rica e estrangeira... eu fiquei chocada. E muito mau-humorada.

Sorte que havia mais que isso. Vi empresas engajadas e uma bela apresentação do Sesi que realmente FAZ a lição de casa. Apresentou o que as demais empresas deveriam ter como premissa, primeiro fazer o seu colaborador entender o que é e para o que serve essa “responsabilidade” e assim expandir não só o conceito, ou os relatórios e listas, mas a prática sustentabilidade e da inclusão, e deste modo, uma vida melhor para todas as pessoas.

A parte boa é que essas apresentações rederam bons debates, questionamentos, encaminhamentos... E eu acredito que em eventos como este podemos aprender muito para fazer valer o dever de cada empresa em adotar uma postura ética que seja permanente, fazendo muito mais que ações sociais e de filantropia ou praticando o ecologismo infundado.
No final, passado o mau humor e a indignação, o saldo que ficou foi positivo!!! Bem positivo!

9 comentários:

Taís Vinha disse...

Hegli, eu acredito que ainda não caiu a ficha de muita gente que este negócio de "socioambientalismo" é sério. Acredito que muitos ainda encaram isso como despesa. E tentam fazer de fachada. O problema é que o consumidor que eles querem atingir com tais "ações" é extremamente crítico (vide seu mau humor), culto e não se deixa enganar por slogans publicitários.

Outro dia, uma empresa conhecida me procurou para divulgar um produto deles no meu blog. Expliquei que só divulgo empresas ou produtos que tenham um comprometimento sério com um mundo mais ético, limpo, justo etc. Eles responderam que tinham um compromisso muito sério com a sociedade e que tinham até doado uns brindes para 30 crianças de uma creche mantida pela Nicete Bruno. Fala sério! Isso é resposta que se dê?

Mas o comprometimento vem crescendo. Nem acho que é por conta de consciência. Mas sim por que detectaram que os esforços milionários que eles fazem com propaganda no Jornal Nacional está se tornando infrutífero, diante de um consumidor pró-ativo e informadíssimo. A internet é a grande culpada. É preciso agora impressionar o consumidor de uma outra forma, além de uma propaganda bonita. E assim, a humanidade caminha. Bjs!

Vitor Seravalli disse...

Comentários muito importantes para que possamos melhorar a Mostra de 2010. Obrigado pela participação e contribuição!
Abraço
Vitor Seravalli

Hegli disse...

Ai Taís, minha cara colega de indignação, pena que não te avisei para participar comigo... hehe. Seríamos páreo duro lá. Em absolutamente todas as mesas em que participei enviei minha perguntinha as desavisados questionando com palavras mais suaves é claro: E A RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL?
E é o que vc disse, o público lá era extremamente crítico e bem informado. Não fui a única a me sentir mau-humorada por conta da tal empresa da lei Rouanet, hehe... ainda bem, estava me sentindo uma chata.
O Vitor que comenta neste post foi moderador de 3 mesas que assisti e ele deu sorte, ou escolheu muito bem os cases. Havia mais “conteúdo” e os assuntos se complementavam. Mesmo discordando de algumas posturas corporativas, o todo fazia sentido.
E pelo tamanho da mostra entendo que seria difícil sair tudo perfeito. Na verdade, perceber essas falhas é o que vai fazer melhorar a visão das empresas sobre o conceito e praticá-lo.
E parabéns por não aceitar uma resposta nonsense desta empresa que te procurou. Affe, até me dói lembrar, mas várias citaram esse tipo de argumento: doamos camisas para time de futebol, cestas básicas, reformamos o ponto de ônibus e cobrimos com telhas... uuuui, na hora dava vontade de chorar...
Mas vamos caminhando minha cara risoteira... (vc fez o risoto que lhe indiquei?rs)
Bjus

Hegli disse...

Oi Vitor, na minha opinião a Mostra foi um mega sucesso.
Imagine, juntar tantas empresas para esse tipo de debate, e ter um diagnóstico tão rápido em mãos?!
E com essas informações processadas dá para seguir trabalhando e criando estratégias para que o conceito RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL seja compreendido e realmente incorporado as práticas corporativas, de parcerias e afins.
PARABÉNS MESMO!!!
Abraço
Hegli

Renata (impermeável a) disse...

Nossa, é mesmo que tiveram coragem de citar cesta básica?
Jesus me abane!
rsrsrsr
Preciso te mostrar uma reportagem incrivel que li sobre a Natura.
Fiquei encantadaaaaaaaaaaaa! Só uso produtos de agora em diante.
so natura, to pensando ate em comprar os perfumes...

Hegli disse...

Pois é Renata, esta é uma empresa que realmente pratica a RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL. Tenho um relatório de sustentabilidade anual deles que recebi em um curso, é incrível o que fazem...
Bjussssss
O “Jesus me abane” vc já me imagina né, eu meio indignada já tremendo na cadeira... hahaha

Silvia disse...

Hegli, concordo com a Taís: o público que fica de olho nessas atitudes é *muito* crítico, e uma hora cai a ficha dos responsáveis por essas empresas. De fato, acho uma pouca vergonha uma empresa grande e rica dizer que faz o básico do básico (e, se não fizer, os melhores funcionários vão trabalhar pro concorrente, porque são coisas que todo mundo faz) e chamar isso de responsabilidade socioambiental.


Mas tem outro "porém": provavelmente essas empresas ajudam a sustentar instituições como Fiesp/Ciesp, e deve ser difícil deixá-las de fora. Eu também sinto um desconforto grande quando vejo instituições que fazem um trabalho legal de consumo consciente, sustentabilidade etc. terem entre seus membros (e até conselhos) representantes de empresas que a gente sabe que não têm nada de socioambientalmente responsáveis. Mas talvez seja um caminho, talvez uma hora elas resolvam se dar conta de que não podem deixar como está.

Hegli disse...

Sabe Silvia, pode até ser que algumas dessas empresas sejam as filiadas, mas tinha muitas empresas e ongs convidadas ao debate. E posso afirmar que algumas dessas mesas de debates foram excelentes, com conteúdo e tudo mais, me acrescentaram, me instigaram.
E os próprios moderadores das mesas em que o assunto foi desviado, puxaram a orelha no sentido de perguntar: Pera lá, mas e a responsabilidade socioambiental? Cadê?
Em outras palavras, acho mesmo é que falta o entendimento do que seja, de fato, a tal da responsabilidade socioambiental para alguns profissionais, e o como fazer acontecer esse processo sem precisar parecer uma propaganda de margarina.
Bjus

Anônimo disse...

Хорошая новость, как скоро ожидается публикации обновлённого материала и вообщем стоит ждать ?